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Marcas próprias alavancam Faleiro

Diário do Comércio – 09/09/2017

A Indústria Faleiro atua no segmento de Marcas Próprias desde 2012. Com sede em Belo Horizonte, a empresa é um desmembramento do tradicional Buffet Faleiro, marca que fornecia doces e salgados para recepções por quase 20 anos. De acordo com o presidente da empresa, Antônio Faleiro Neto, desde que se especializaram em refeições prontas, salgados e sobremesas congeladas para marca própria, a indústria cresceu 200% nos últimos seis anos, passando de 2 mil clientes para 8 mil. A expansão representou 35% de crescimento no faturamento e significou um aumento expressivo da produção. Hoje, a fábrica, que gera 190 empregos diretos, localizada no bairro Califórnia, região Noroeste, produz diariamente em seus 7,2 mil metros quadrados, 90 itens distribuídos em três linhas. São 120 mil salgados; 5 mil pratos prontos e 6 mil sobremesas congeladas. Para atender a demanda crescente, que exige operação em três turnos, de segunda a sábado, a fábrica foi ampliada e requereu aportes ao longo de seis anos que totalizaram R$ 8 milhões. Faleiro Neto ressalta que as marcas próprias ainda têm muito potencial de crescimento. “O mercado a ser explorado é enorme, estamos engatinhando ainda neste modelo de negócio no País”, comenta. Uma pesquisa da Nielsen revelou que o mercado de marcas próprias no Brasil é um dos mais baixos do continente sul-americano (7,9%) e está distante da média global (16,1%), não ultrapassando 5% de participação. Entre os principais motivos que retardam o crescimento do mercado estão a concentração desse segmento nas grandes redes varejistas, que são menos representativas no Brasil que em outros países latino-americanos.

Padrão de qualidade – Segundo Neto, foram necessários dois anos de preparo para adequar as instalações aos padrões exigidos pelos clientes. Para atender a uma rede de hipermercados, por exemplo, a empresa precisou obter certificações específicas e estar dentro das conformidades exigidas pelo cliente. “Somos fiscalizados regularmente em todo o processo produtivo, da matériaprima à destinação de resíduos. Falhas de gestão não são aceitas”, explica. Até um laboratório de análise microbiológica funciona dentro da fábrica para garantir a segurança dos processos. “Para manter a qualidade dos produtos temos uma indústria já certificada e que pretende implantar a IFS em dezembro de 2018”, ressalta Antônio Neto. A International Feature Standards (IFS) tem reconhecimento internacional que permite a criação de uma imagem de marca no setor alimentar, construindo a confiança dos consumidores e abrindo caminho para novas oportunidades de mercado. Entre os diferenciais da Faleiro está a estratégia voltada para a necessidade do varejista. “Somos uma empresa 100% aberta em desenvolver novos produtos. Para isso contamos com um time de inteligência e desenvolvimento voltado para a inovação. Podemos criar para o cliente produtos que não temos em linha de produção com exclusividade”, comenta o presidente. Os produtos produzidos pela Faleiro têm validade de 150 dias. São enviados diretamente aos centros de distribuição em todo o Brasil, em uma logística de transporte que permite entregas semanais, tanto para o varejo quanto para o setor de food service. Mercado em expansão – “Imagine a seguinte história: Dona Maria é cliente antiga de uma padaria, pois somente lá ela encontra aquele bolo de milho com gostinho caseiro que tanto gosta. Como consumidora fiel e admiradora da marca, sempre recomenda aquela padaria aos conhecidos e ainda compra vários outros produtos no estabelecimento. E se na mesma história, no lugar do bolo preferido da Dona Maria, colocássemos os produtos de marcas próprias, comercializados exclusivamente nas redes que detêm o controle daquela marca?” É assim que a presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro), Neide Montesan, resume a vantagem competitiva dessa estratégia. Para ela, é simples: quando o consumidor se identifica, enxerga valor, qualidade e ainda encontra preços atrativos, ele volta sempre, e assim se torna fiel ao produto. Produtos de marcas próprias, afirma Neide Montesan, saem cerca de 20% mais baratas em relação aos produtos tradicionais da indústria. Segundo a presidente da Abmapro, o valor é inferior porque esse produto não tem custo comercial, não possui investimento em publicidade e, normalmente, são desenvolvidos diretamente entre fornecedor e detentor da marca. Além de alimentos prontos, produtos como papel higiênico (25%), feijão (19%), óleos para cozinhar (18%), açúcar (15%) e arroz (15%) foram os que mais contribuíram para o crescimento das Marcas Próprias no ano passado.

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